Texto: Carlos Antônio-Expoente / Foto: Ilustração (Internet)
Apavorados os habitantes do sertão do Pajeú perguntam: se a gripe H1N1 chegar a nossa região terá como escapar? É verdade que esta doença não é tão fatal quanto se comenta por aí? Será que esta gripe suína já está entre nós? Grandes dúvidas surgiram a partir das primeiras mortes no Brasil. As pessoas simplórias não têm como precisar, exatamente, quais as conseqüências que esta nova gripe trará à população. Portanto, enquanto não há nada a confirmar, nem desmentir os sertanejos se apegam as crenças pedindo a Deus ou aos homens de boa fé que resolvam esta aflição.Pelo menos uma coisa é verdade neste drama todo, mesmo não confirmando clinicamente casos da nova gripe em nossa região, as pessoas já se mostram perante as outras, isto é, manter distância de qualquer sintoma parecido com a influenza, mas será que tudo isso não seria influência em vez de influenza? O fato é que ninguém quer arriscar, preferindo acreditar que a morte já bate a sua porta, se ela está batendo é melhor não abrir. Bom mesmo, para alguns, é nem cumprimentar, pegar na mão é um perigo absurdo.
Máscaras circulam por aí cobrindo o rosto de muitos, talvez seja melhor a gente não vê-las, pois a máscara serve para não contaminar a pessoa que não está usando, ou seja, aquela que anda de cara limpa. Se a gripe “A” chegou ou não ao Pajeú neste momento parece não ser a questão, a questão é quem vai me contagiar. Estamos a andar por as ruas a procura de uma tosse, de uma febre, de um espirro. Isso demonstra o quanto estamos preocupados em exigir das autoridades em epidemiologia uma verdade ética, coerência diante dos fatos.
Culturalmente funcionamos de cabeça para baixo: se há violência nas ruas, cuidamos logo de colocar grades em nossas casas, deixando o delinqüente andar a solta nas ruas enquanto ficamos presos. Da mesma forma invertemos neste problema da gripe suína em vez de mostrar solidariedade para com o próximo, desvelamos nossa parte egoísta, deixando aparente que o problema do meu “eu” é o outro. Influência ou influenza parece ter o mesmo poder ativo: contaminar a todos, deixando-os doentes, apavorados com o “moco” quem vem das entranhas do vizinho. Agora sabemos o que significa H1N1: vírus que expõe a Humanidade ao seu Não mais autêntico: o outro. Cada um por si.
Da Redação do portalitapetim.blogspot.com / Itapetim, Quarta-feira, 05 de Agosto, 2009